(Fonte: Jornal A Tarde - Salvador/BA)
ALFABETO
Passa a ter 26 letras, com a inclusão do "k", "w" e "y". Essas letras continuam a ser usadas na escrita de palavras estrangeiras, como nos nomes próprios de pessoas (antropônimos) e seus derivados: Byron, byroniano; nos nomes próprios de lugar (topônimos) e seus derivados: Malawi, malawiano; e nas siglas, símbolos e palavras adotadas como unidades de medida de uso internacional: kW – quilowatt, kg – quilograma, km – quilômetro.
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
Para relembrar...
Posição da sílaba tônica:
Proparoxítona
Sílaba tônica na antepenúltima:mágico, lâmpada, paralelepípedo.
Observação: O Acordo não alterou a acentuação dessas palavras.
Paroxítona
Sílaba tônica na penúltima: cadeira,tênis, secretária, prêmios.
As alterações concentram-se neste tipo de vocábulo. Muitas paroxítonas continuam acentuadas, pois não foram alteradas pelo Acordo e continuam seguindo às normas anteriores a ele.
Oxítona
Sílaba tônica na última: café, paletó,anéis, sofá, parabéns.
Com o Acordo Ortográfico, perderam acento:
* Os ditongos abertos "éu", "éi" e "ói" das palavras paroxítonas.
Como era: jibóia, heróico, idéia, assembléia, platéia, bóia, colméia, jóia, estréia, apóia (verbo apoiar).
Como fica: Jiboia, heroico, ideia, assembleia, plateia, boia, colmeia, joia, estreia, apoia.
Observação: essa regra não é válida para as palavras oxítonas terminadas em "éis", "éu", "éus", "ói", "óis" que continuam acentuadas: papéis, herói, heróis, constrói, troféu, troféus, fiéis, réu, dói, pastéis, anéis.
* O i e u tônicos precedidos por ditongo, apenas nas palavras paroxítonas.
Como era: Baiúca, bocaiúva, cauíla, feiúra, maoísmo, taoísmo, feiúdo.
Como fica: Baiuca, bocaiuva, cauila, feiura, maoismo, taoismo, feiudo.
Observação: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou seguidos de s), o acento permanece como acontece em tuiuiú, tuiuiús, Piauí.
* As palavras terminadas em "ôo(s)" e as formas verbais terminadas em "-êem".
Como era: Enjôo, enjôos, vôo, vôos, zôo; crêem, dêem, vêem, lêem, prevêem, relêem.
Como fica: Enjoo, enjoos, voo, voos, zoo; creem, deem, veem, leem, preveem, releem.
Observação: o acento permanece no plural de ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, advir, etc.).
Exemplos:
Eles têm alternativa
Eles vêm de outra empresa
Eles mantêm a palavra
* Desaparece o acento agudo no u forte dos grupos que/qui/gue/gui de verbos como averiguar, apaziguar, arguir, redarguir, bliquar.
Como era: Apazigúe, averigúe, argúem
Como fica: apazigue, averigue, arguem
* Deixa de ser usado o acento que diferenciava os pares pára/para, péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pêra. Como era:
Ele não pára de olhar
Nós fomos ao pólo Norte
Eles jogam pólo
Aquele gato tem pêlos macios
As crianças gostam de comer pêra
Como fica:
Ele não para de olhar
Nós fomos ao polo Norte
Eles jogam polo.
Aquele gato tem pelos macios
As crianças gostam de comer pera.
Atenção: Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3ª pessoa do singular. Pode é a forma do presente do indicativo, na 3ª pessoa do singular.
Exemplo: Ele pôde, por duas vezes consecutivas, interferir nas decisões do conselho, mas agora ele não pode mais. Continua também o acento diferencial em pôr (verbo)/por (preposição).
Exemplo: Não vou pôr o material no armário feito por você.
Uso facultativo - O acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma pode ser usado opcionalmente. Indica-se o uso do acento para conferir maior clareza à frase.
Exemplos: De qualquer forma, não encontramos a fôrma adequada para o bolo de aniversário. A forma daquela fôrma é bastante irregular.
EMPREGO DO TREMA
Deixa de ser usado em todas as palavras portuguesas ou aportuguesadas.
Como era: Agüentar, lingüiça, seqüestro, freqüente, cinqüenta, seqüência, tranqüilo, delinqüente, eloqüente, bilíngüe, eqüestre, sagüi, ensangüentado.
Como fica: Aguentar, linguiça, sequestro, frequente, cinquenta, sequência, tranquilo, delinquente, eloquente, bilíngue, equestre, sagui, ensanguentado.
Caso de exceção: O trema continuará sendo usado nos nomes próprios estrangeiros e seus derivados.
Exemplos: Hübner, hübneriano; Muller, mülleriano; Bündchen, etc.
Importante: Apesar de o trema ter sido abolido, a pronúncia nas palavras em que ele era utilizado continua a mesma. Portanto, as palavras continuarão a ser pronunciadas como antes. O mesmo ocorre com as paroxítonas que perderam o acento gráfico, seja agudo ou circunflexo.
EMPREGA-SE O HÍFEN:
1 | Nas formações com prefixos (ANTE, ANTI, CIRCUM, CO, CONTRA, ENTRE, EXTRA, HIPER, INFRA, INTRA, PÓS, PRÉ, PRÓ, SOBRE, SUB,SUPER, SUPRA, ULTRA, etc) e nas formações com falsos prefixos, de origem grega e latina (AERO, AGRO, ARQUI, AUTO, BIO, ELETRO, GEO, HIDRO, INTER, MACRO, MAXI, MICRO, MINI, MULTI, NEO, PAN, PLURI, PROTO, PSEUDO, RETRO, SEMI, TELE, etc) quando o segundo elemento começa por "H": anti-higiênico, super-homem, mini-hotel, neo-helênico, co-herdeiro, sobre-humano, circum-hospitalar, contra-harmônico, extra-humano, pré-história, sub-hepático, ultra-hiperbólico, arqui-hipérbole, geo-história, auto-hipnose, neo-hamburguês, neo-helênico, pan-helenismo, semi-hospitalar, proto-história, anti-herói, anti-horário;
>> Obs. << Não se usa hífen em formações que contêm em geral os prefixos "DES-" e "IN" e nas quais o segundo elemento perdeu o h inicial: subumano, desumano, desumidificar, inábil, inumano, desarmonia, inábil.
2 | Quando o prefixo termina pela mesma vogal com que se inicia o segundo elemento: anti-ibérico, contra-almirante, infra-axilar, supra-auricular, arqui-irmandade, auto-observação, eletro-ótica, micro-ondas, semi-interno, contra-ataque, anti-inflacionário, ultra-aquecido, anti-imperialismo, supra-auricular, micro-ônibus, neo-ortodoxo, sobre-elevar, anti-infeccioso, semi-internato;
3 | Nas formações com prefixos terminados pela mesma consoante com que se inicia o segundo elemento: hiper-requintado, super-romântico, sub-bibliotecário, inter-regional, sub-base, super-revista, ad-digital, inter-racial, sub-biótipo, super-racista, super-reacionário;
4 | Com o prefixo sub, diante de palavra iniciada por b (conforme regra anterior) e r: sub-região, sub-raça, sub-reitor, sub-reino;
5 | Com os prefixos circum e pan diante de palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, circum-escolar, circum-murado, pan-africano, pan-americano, pan-mágico, pan-negritude.
6 | Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró: além-mar, além-túmulo, aquém-mar, ex-aluno, ex-diretor, ex-prefeito, ex-marido, ex-aluno, pós-graduação, pré-escolar, pré-natal, pré-requisito, recém-casado, recém-nascido.
NÃO SE EMPREGA O HÍFEN:
1 | Quando o prefixo termina em vogal diferente daquela com que se inicia o segundo elemento: aeroespacial, agroindustrial, anteontem, antiaéreo, antieducativo, autoaprendizagem, infraestrutura, coautor, coedição, autoescola, extraescolar, plurianual, contraindicação, autoajuda, contraofensiva, retroalimentação, semiárido, pseudoepígrafe, autoestrada, intrauterino, supraocular, ultraelevado, contraescritura, neoafricano, neoimperialista;
2 | Quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por "r" ou "s". Nesse caso, duplicam-se essas letras: antirrábico, antirracismo, antirreligioso, antissocial, autorregulamentação, biorritmo, biossatélite, contrarregra, cosseno, eletrossiderurgia, extrarregular, ultrassonografia, neorromano, multissegmentado, antirrugas, microssistema, minissaia, multissecular, semirreta, suprarrenal, ultrassom;
3 | Quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de "r" ou "s": anteprojeto, antipedagógico, autopeça, autoproteção, coprodução, geopolítica, microcomputador, pseudoprofessor, semicírculo, semideus, seminovo, ultramoderno;
4 | Nas formações com prefixos terminados por consoante e segundo elemento iniciado por vogal: hiperacidez, hiperativo, interescolar, interestadual, interestelar, interestudantil, superamigo, superaquecimento, supereconômico, superexigente, superinteressante, superotimismo;
5 | Nos vocábulos que perderam noção de composição e passaram a se escrever aglutinadamente: girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedistas (e afins, paraquedismo, paraquedístico).
Atenção:
Outros compostos com a forma verbal para- seguirão sendo separados por hífen, conforme a tradição lexicográfica: para-brisa(s), para-choque, para-lama(s) etc.
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:
1 | Com o prefixo "CO-" o hífen era utilizado obrigatoriamente. Com o Acordo Ortográfico, o emprego do hífen é indicado apenas quando o segundo elemento for iniciado por h, como é o caso de co-herdeiro;
2 | Nas formações com o prefixo –co, este aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por o: coobrigação, coocupante, coordenar, cooperação, cooperar;
3 | O hífen será usado nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento: batata-doce, bem-te-vi, erva-do-chá, abóbora-menina, vassoura-de-bruxa, couve-flor, bem-me-quer, feijão-verde, joão-de-barro, cobra-d'água, erva-doce, fava-de-santo-inácio, bem-te-vi;
4 | Emprega-se o hífen nos nomes geográficos compostos pelas formas grã, grão, ou por forma verbal ou, ainda, naqueles ligados por artigo: Grã-Bretanha, Grão-Pará, Abre-Campo, Passa-Quatro, Baía de Todos-os-Santos, Entre-os-Rios, Trás-os-Montes;
Atenção!
Os outros nomes geográficos compostos escrevem-se com os elementos separados, sem o hífen: América do Sul, Belo Horizonte, Cabo Verde, Castelo Branco. Exceções: Guiné-Bissau e Timor-Leste.
5 | Emprega-se o hífen quando o primeiro elemento da palavra composta for bem ou mal e o segundo elemento começar por vogal ou h: bem-apanhado, bem-humorado, mal-habituado, mal-estar;
Em muitos compostos, o advérbio bem aparece aglutinado com o segundo elemento: benfazejo, benfeito, benfeitor, benquerença.
6 | Emprega-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando, não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares. Exemplos: a divisa Liberdade-Igualdade-Fraternidade, a ponte Rio-Niterói, o percurso Lisboa-Coimbra-Porto, a ligação Angola-Moçambique, etc;
8 | Continua o emprego do hífen nos compostos sem elemento de ligação quando o 1º termo, por extenso ou reduzido, está representado por forma substantiva, adjetiva, numeral ou verbal.
Exemplos: arco-íris, mesa-redonda, mato-grossense, primeiro-ministro, segunda-feira, guarda-chuva, sul-africano, tenente-coronel, médico-cirurgião, azul-escuro, etc;
Na translineação (ato de passar de uma linha para a outra, na escrita ou na impressão) de palavras com hífen, se a partição coincide com o fim de um dos elementos, deve-se repetir o hífen na linha seguinte.
Exemplos:
- Todos os encantos de um lugar inspirador, divino e belo estão presentes na Baía de Todos-os-Santos. (Acordo Ortográfico)
- Todos os encantos de um lugar inspirador, divino e belo estão presentes na Baía de Todos os Santos. (antes do Acordo Ortográfico)
Andréia Franco
Itana Mangieri
Praticante de Trilhas em diversos grupos no Brasil.
E-mail: itanamangieri@gmail.com
15/01/2009 - 15:50